Angelo Rosa — Product Designer

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Design Hub: discovery da equipe como plataforma com agentes de IA

Transformei a metodologia de discovery do time em uma plataforma que extrai requisitos, processa entrevistas, gera histórias, sincroniza com o Jira e responde com fontes.

Cliente
Ferramenta interna
Ano
2026
Categorias
AI Solution
Design Hub: discovery da equipe como plataforma com agentes de IA

Uma software house opera em regime de muitos projetos ao mesmo tempo, cada um com um cliente, um estágio e um conjunto próprio de decisões. O Confluence e o Notion guardavam os documentos, mas não guardavam o processo: o escopo aprovado ficava em uma pasta, a transcrição da entrevista em outra, os requisitos em uma planilha e as histórias de usuário no Jira. Quem entrava no projeto depois reconstruía o raciocínio perguntando para quem estava lá desde o começo.

O sintoma que me fez construir a plataforma foi a perda de rastro entre evidência e decisão. Uma história chegava ao desenvolvimento sem que ninguém conseguisse dizer qual entrevista a originou, qual requisito ela cobria e qual critério de aceite foi combinado com o cliente.

Visão geral do projeto na plataforma, com cards de stakeholders, entrevistas, módulos, requisitos, jornadas, personas e histórias

O problema: o discovery existia nas pessoas, não no sistema

O time de design não tinha falta de método. Tinha falta de lugar onde o método acontecesse. As etapas existiam na cabeça de cada designer e saíam diferentes a cada projeto, o que tornava impossível comparar, auditar ou repassar. O retrabalho aparecia no refinamento, quando a informação já tinha custado uma reunião.

A decisão foi materializar o playbook em software. Em vez de escrever um guia de como fazer discovery e esperar adesão, cada etapa do método virou uma tela com campos, estados e validação.

A tese: cada etapa é um artefato com um agente e um prompt

A plataforma não é um repositório de documentos com um chatbot no canto. Cada etapa da esteira tem um tipo de entrada, um processamento por IA com prompt próprio e um artefato de saída que alimenta a etapa seguinte.

Eu envio o arquivo bruto da transcrição da entrevista e o sistema processa os pontos principais. Eu envio o documento de requisitos e o sistema extrai os requisitos funcionais, com critérios de aceite escritos como afirmações testáveis. Do PRD aprovado saem os módulos e as funcionalidades, e deles saem as histórias de usuário. O prompt de cada etapa é versionado e editável na área de configuração, com contador de caracteres e estimativa de tokens, porque o comportamento do agente muda com o texto que ele recebe.

O portão humano fica em cada passagem: o agente propõe, o designer revisa, corrige e só então o artefato avança. Nada é aprovado por inferência da máquina.

As etapas da esteira

Escopo, requisitos e PRD

O contrato em PDF entra na plataforma e o botão de processamento dispara um fluxo externo em n8n, que devolve o escopo estruturado. A partir dele o time mantém o Documento de Requisitos do Produto em um editor WYSIWYG com alternância para Markdown, ao lado da lista de requisitos funcionais com status de cobertura e critérios de aceite visíveis na mesma tela.

Vídeo

Entrevistas e síntese

Cada entrevista registra stakeholder, objetivo, gravação e transcrição. O processamento aplica o prompt de síntese e devolve os achados organizados, que é o que entra na base de conhecimento, não o texto bruto. A lista de entrevistas mostra o status de cada uma, o que dá ao time a leitura de quanto do discovery já foi processado.

Modal de entrevista com transcrição original, stakeholders vinculados e resumo processado pela IA

Módulos e histórias de usuário

O projeto se organiza em módulos e funcionalidades, o que permite gerar histórias ancoradas em uma estrutura de produto em vez de uma lista solta. Cada história tem critérios de aceite categorizados, requisitos técnicos, débitos técnicos associados e vínculo com o arquivo do Figma.

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Sincronização com o Jira

A integração cria o épico quando ele não existe, guarda o mapeamento para não duplicar e verifica se o épico continua válido antes de reaproveitar o vínculo. O status é mantido por história, com erro isolado para não derrubar o lote inteiro, e existe resincronização em massa e remoção da issue quando a história é descartada.

Tela de integração com o Jira, com configuração de projeto, board e tipo de issue, cards de status de sincronização e tabela de histórias com a chave do Jira

O agente do projeto

Cada projeto tem um agente que conversa sobre o próprio conteúdo. A base é indexada em PostgreSQL com pgvector e busca textual em português, e a resposta vem em streaming com as fontes citadas ao final: a entrevista, a história ou o requisito que sustentam cada afirmação. Quando a pergunta cita um código como US-01, existe um caminho de busca por código, porque nem todo conteúdo relevante aparece nos primeiros resultados por similaridade.

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O system prompt é global e editável, com estimativa de tokens e parâmetros de busca, o que permite trocar o comportamento e o modelo sem tocar no front.

Configuração do agente com seleção de modelo, system prompt editável e contador de caracteres e tokens

Link público da história

Histórias podem ser compartilhadas por link público com token e contagem de visualizações, o que resolveu a conversa com stakeholder que não tem conta na ferramenta. O stakeholder lê a história e os critérios de aceite sem entrar no projeto.

Página pública de uma história de usuário, com contexto de épico e funcionalidade, critérios de aceite e rodapé de origem

Arquitetura e decisões de produto

O front é React com TypeScript, Vite, Tailwind e shadcn/ui, com estado assíncrono em TanStack Query. O back é Supabase, com autenticação, Row Level Security e armazenamento. A camada de inteligência não fica no cliente: são 14 Edge Functions em Deno que isolam as chaves, orquestram os provedores e gravam o resultado. O schema tem 30 tabelas e 82 migrations.

Três decisões moldaram o resto:

Vídeo

O que muda no processo

O discovery deixa de ser uma fase que acontece e passa a ser um estado consultável do projeto. Quando a pergunta é de onde veio essa história, a resposta existe, e vem com a entrevista citada. É a diferença entre um time que documenta para cumprir etapa e um time que documenta porque o sistema devolve o documento no momento em que ele é necessário.